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Um mergulho na ciência

‘Para aprender o cérebro precisa se emocionar’, afirma o neuropsicólogo José Ramón Gamo. Mas como fazer isso no dia a dia da sala de aula? Uma saída de barco pela […]

‘Para aprender o cérebro precisa se emocionar’, afirma o neuropsicólogo José Ramón Gamo. Mas como fazer isso no dia a dia da sala de aula? Uma saída de barco pela Baía de Guanabara permitiu aos participantes do Inspira Ciência debaterem sobre essa e outras questões do ensino e aprendizagem. A atividade ocorreu (8/6) no terceiro encontro do programa destinado aos professores da Educação Básica realizado pelo Museu do Amanhã e o British Council com o patrocínio da IBM. No lugar de um mergulho na baía, um mergulho na ciência – e em como ensiná-la.

Quebrando a rotina da escola

Se a ciência está em toda parte, por que não levar os estudantes para aprendê-la fora da sala de aula? A proposta da saída de barco era mostrar que a Baía de Guanabara pode ser uma grande escola, um grande laboratório ou um grande livro a céu aberto. E que dinâmicas de território podem inspirar aulas mais vibrantes e contextualizadas. Deu certo. ‘Com os seus encantos e mazelas, vejo que a baía é o lugar ideal para estimular um olhar interdisciplinar entre os estudantes’, diz a professora Silvia Rocha, participante do Inspira Ciência. ‘História, Geografia, Biologia, Química, está tudo ali na vida da população que mora no seu entorno, nas atividades econômicas, questões sociais e problemas ambientais’, reflete.

‘Muitas vezes, os professores deixam de explorar o território com os seus estudantes por falta de recursos, de tempo ou por questões de segurança, mas essa saída de barco nos lembra a importância de levar os estudantes para aprender fora da escola, de olho no mundo, com os pés no chão’, diz Silvia, que leciona na escola Escola Municipal Professora Zuleika Nunes de Alencar, na Barra da Tijuca. ‘Eu tenho a sorte de ter a praia a poucos metros da minha escola. Agora quero levar minhas turmas para conhecer as diferentes espécies da região e a área de restinga. Fora da escola, eles aprenderão sobre a natureza em contato com ela. E esse contato faz toda diferença’, afirma.

Outro participante do Inspira Ciência, o professor Cláudio Aurélio Nogueira concorda que as aulas fora da escola ajudam a quebrar a rotina. ‘Às vezes, eu sinto que os estudantes estão cansados do dia a dia do caderno, do livro, do quadro negro, das filas de cadeiras, de tudo. E os professores também’, revela. ‘Uma aula como essa renova o interesse dos estudantes e professores, o que é bom para o ensino e para a aprendizagem como um todo’, conta o professor.

Na sua opinião, não é necessário ir longe da escola. ‘O importante é que eles tenham contato com a vida real e percebam que o que aprendem em sala de aula pode e deve ser levado para o bairro, para a cidade, para o mundo. Aulas no território também são uma boa oportunidade para estimular o pensamento critico e a resolução de problemas, duas competências essenciais hoje em dia’, afirma Cláudio, que leciona no Colégio Estadual Collecchio, em Bangu.

‘Não precisa ir longe da escola. Na falta de recursos, usemos a criatividade’, continua o professor que tem o costume de levar suas turmas para atividades externas. ‘Uma das atividades que minhas turmas gostam é uma aula na feira que tem perto da escola. Lá, eu peço aos vendedores que expliquem o caminho que as frutas, legumes e verduras percorrem até chegar ali nas mãos dos estudantes, ou então incentivo que eles classifiquem os alimentos, uma espécie de taxonomia da feira’, conta entusiasmado.

Para quem quer começar agora

O livro do Inspira Ciência tem planos de aulas produzidos por professores participantes da primeira edição do programa em 2018. Entre eles, um é dedicado à investigação da qualidade da água da Baía de Guanabara. Combinando Biologia, Química e Educação Ambiental, esse plano estimula os estudantes a analisarem as causas da poluição da baía e os seus efeitos sobre a biodiversidade e a saúde humana. Para isso, tem etapas de pesquisa de campo que incluem a coleta e análise de amostras de água. O plano ainda faz conexões com o Museu do Amanhã, sugerindo o uso do interativo ‘Baías de Todos Nós’ para os estudantes conhecerem a Baía de Guanabara e mais outras quatro baías em outros países e entenderem que a despoluição é difícil, mas não é impossível.

A saída de barco pela Baía de Guanabara teve o apoio do Rio Boulevard Tour.

Escrito por: Davi Bonela é pesquisador da Diretoria de Desenvolvimento Científico do Museu do Amanhã