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O que existe em comum nas revoluções científicas?

Das descobertas de Galileu e Einstein, passando pela estrutura das revoluções científicas percebida por Thomas Kuhn até o jogo com o universo nos poemas de Jorge Luis Borges. O primeiro […]

Das descobertas de Galileu e Einstein, passando pela estrutura das revoluções científicas percebida por Thomas Kuhn até o jogo com o universo nos poemas de Jorge Luis Borges. O primeiro encontro do Inspira Ciência, programa de formação de professores da educação básica promovido pelo Museu do Amanhã e o British Council no último sábado (25/8) foi mesmo inspirador.

Por uma feliz coincidência, o programa começou no mesmo dia em que o Museu do Amanhã atingiu a marca de três milhões de visitantes. O fato motivou os sessenta selecionados entre mais de quinhentos inscritos a participar das palestras do curador do museu, Luiz Alberto Oliveira, e da coordenadora do novo currículo escolar fluminense a partir da Base Nacional Comum Curricular, Lina Vasconcelos. Ambos ressaltaram a importância de construir novos paradigmas para fazer e para ensinar ciências.

Mudar é parte do avanço da ciência – seja fazendo ou ensinando

Inovar, criar, mudar. Essas foram palavras repetidas pelos participantes ao explicar suas intenções em sala de aula. Lecionando em escolas da rede pública e particular de diferentes pontos da cidade, o grupo tem professoras e professores que dão aulas para estudantes que estão no início da vida escolar aos que já fazem suas escolhas para o vestibular. Embora sejam realidades distintas, pelo que disseram, eles têm em comum o desafio de despertar o interesse das crianças e jovens pela ciência.

Luiz Alberto Oliveira introduziu o programa abordando a ciência em si, seus valores e práticas. Tema com o qual os professores são confrontados em sala de aula pela pergunta tão repetida pelos estudantes: para que serve a ciência? A ciência, explicou o curador aos participantes, são processos sociais em contínua construção e desconstrução. São paradigmas, que, como tais, têm protocolos, leis, aplicações, experimentos que sustentam o conhecimento provisoriamente até serem substituídos por outros.

Citado pelo curador durante a apresentação, Thomas Kuhn, em seu clássico A estrutura das revoluções científicas, analisa os mecanismos internos da ciência e percebe que se, por um lado, são nesses paradigmas que a ciência se sustenta, por outro, é no rompimento deles que a ciência avança.

Com esse fio de pensamento, Luiz Alberto mostrou exemplos de Aristóteles, Galileu e Einstein na busca de conhecer as forças que regem o Universo mostrando como o conhecimento de um poderia não existir sem o conhecimento do outro, ainda que seja refutando-o com o seu próprio e novo saber.

Para Lina Vasconcelos, fazer e desfazer práticas à primeira vista definitivas também é fundamental para o avanço da educação. Ela apresentou a Base Nacional Comum Curricular como sendo uma das principais mudanças em curso na educação do país.

Além de explicar os objetivos da BNCC, a sigla pela qual a base é mais conhecida, ela apresentou os eixos já consolidados para o ensino de Ciências, bem como as competências que se espera despertar nos estudantes. Para Lina, introduzir a noção de competências – entre as quais estão o pensamento científico, crítico e criativo – é um caminho para formar estudantes mais atuantes, capazes de compreender melhor o mundo e intervir sobre ele.

Embora encontrem pontos de discordância sobre a base, os participantes reconheceram que inspirar nos estudantes esse sentimento de mudança pode levar a transformações importantes na educação. O primeiro passo já foi dado.

Para colocar as discussões em prática os participantes foram apresentados ao mapa de brotar ideias e estimulados a iniciarem a costura entre os conteúdos abordados em sala de aula e a exposição principal do Museu do Amanhã, por meio de uma caminhada pelo museu, processo que será desenrolado ao longo dos próximos encontros.

Universo, Sistema Solar e Terra são temas do segundo encontro

O próximo encontro do Inspira Ciência ocorre dia 22 de setembro, de 9h às 13h, no Museu do Amanhã. Na ocasião, os participantes poderão aprofundar seus conhecimentos sobre o Universo, o Sistema Solar e o planeta Terra em conversas com o diretor de Astronomia do Planetário do Rio, Alexandre Cherman, e com a pesquisadora do Museu de Astronomia e Ciências Afins, Patrícia Spinelli. Eles também trocarão experiências de ensino e aprendizagem com os educadores do Museu do Amanhã e de professores vencedores do Prêmio Shell de Educação Científica.

Inspira Ciência

O Inspira Ciência é realizado pelo Museu do Amanhã e o British Council para a construção de um ensino de Ciências vibrante com professoras e professores da educação básica. O objetivo é explorar temas fundamentais em Ciências e criar conexões entre o currículo escolar e o conteúdo do museu por meio de planos que integrem as salas de aula e a exposição principal no ensino de um tema.

Os próximos encontros serão 22 de setembro, 13 de outubro e 10 de novembro, quando um grupo de especialistas apresentará temas organizados nos eixos Universo e Terra, Vida e Biosfera, Humanidade e Cultura. Além dos já citados, os especialistas são o geólogo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Hermínio Ismael, e o físico do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, Henrique Lins de Barros. O programa também tem a participação dos educadores do Museu do Amanhã e professores vencedores do Prêmio Shell de Educação Científica.

Por Davi Bonela e Ademildes Freitas, pesquisador e educador do Museu do Amanhã.