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Competências essenciais e aprendizagem profunda

Diferente do que se imagina, a ciência não é feita de respostas e sim de perguntas. Por isso elas também são fundamentais na educação. Do que é feito? Como funciona? […]

Diferente do que se imagina, a ciência não é feita de respostas e sim de perguntas. Por isso elas também são fundamentais na educação. Do que é feito? Como funciona? Por que é assim? Qual é o seu impacto sobre os demais? Estimular a curiosidade dos estudantes e ajudá-los a perder o medo de questionar são passos importantes para desenvolver competências essenciais para suas vidas dentro e fora da escola. Algo como despertar uma atitude científica.

É o que os professores participantes do Inspira Ciência puderam conhecer mais durante um encontro on-line realizado pelo Museu do Amanhã e o British Council na quarta-feira, 12/9. Na ocasião, eles conversaram com Maria do Carmo Xavier, difusora do programa Core Skills – Educação para a vida – mantido pelo Conselho Britânico. Ela apresentou um conjunto de competências essenciais e formas de estimulá-las em sala de aula.

Competências essenciais em uma aprendizagem profunda

Crescendo em um mundo que vive transformações de toda ordem, as crianças e os jovens precisam compreender e participar dessas mudanças. Neste cenário, pensamento crítico, resolução de problemas, criatividade, imaginação, cidadania, comunicação, colaboração, letramento digital e ainda a liderança e o desenvolvimento pessoal se tornaram competências essenciais.

No encontro, além de apresentá-las, Maria do Carmo e os participantes conversaram sobre como essas competências poderiam ser exploradas com os estudantes. Para a representante do British Council essas competências requerem uma forma de aprendizagem profunda, estruturada conscientemente pelos professores e professoras para atingir seus objetivos. Essa aprendizagem requer um planejamento de aula que começa com a escolha do seu conteúdo, passa pelos procedimentos, atividades, recursos e estratégias para abordá-lo, até seleção de instrumentos de avaliação para monitorar seus resultados – seja o aprendizado dos estudantes, seja da eficiência dá própria aula para essa aprendizagem.

Para isso, a difusora do Core Skills apresentou uma forma de organização dos objetivos da aprendizagem reconhecida no campo educação: a taxonomia elaborada pelo pedagogo e psicólogo norte-americano Benjamin Bloom, mais conhecida como Taxonomia de Bloom. Essa classificação divide a aprendizagem em um domínio cognitivo – aquele relacionado à aprendizagem intelectual -, outro afetivo – relacionado à sensibilidade e aos valores – e ainda um domínio psicomotor – que terminou não sendo concluído pelo autor.

Foi para explorar esses domínios, explicou Maria do Carmo, que Bloom organizou sua taxonomia. No encontro, o foco foi o domínio cognitivo. Esse domínio é formado por objetivos organizados em uma hierarquia do menos complexo para o mais complexo. Segundo ela explicou, o primeiro objetivo é conhecer, é quando os estudantes memorizam dados, fatos, padrões ou conceitos específicos. O segundo passo é leva-los a compreender, ou seja, a imprimir um significado ao que foi aprendido.

Esses objetivos de aprendizagem são seguidos por aplicar, que é quando o estudante utiliza o aprendizado em novas situações. O que, por sua vez, se desdobra em habilidades para analisar, sintetizar, avaliar e criar.

Mas como introduzir desses objetivos de aprendizagem em sala de aula? Na opinião da especialista, um caminho é estimular os estudantes a questionarem o mundo que o cercam, seja pelo interesse curioso ou pelo incômodo provocado por certa situação. Questionar é um passo fundamental para despertar nas crianças e jovens estudantes o pensamento crítico, que é uma porta entrada para o desenvolvimento das outras competências.

Universo, Sistema Solar e Terra são temas do segundo encontro

O próximo encontro do Inspira Ciência ocorre dia 22 de setembro, de 9h às 13h, no Museu do Amanhã. Na ocasião, os participantes poderão aprofundar seus conhecimentos sobre o Universo, o Sistema Solar e o planeta Terra em conversas com o diretor de Astronomia do Planetário do Rio, Alexandre Cherman, e com a pesquisadora do Museu de Astronomia e Ciências Afins, Patrícia Spinelli. Eles também trocarão experiências de ensino e aprendizagem com os educadores do Museu do Amanhã e de professores vencedores do Prêmio Shell de Educação Científica.

Inspira Ciência

O Inspira Ciência é realizado pelo Museu do Amanhã e o British Council para a construção de um ensino de Ciências vibrante com professoras e professores da educação básica. O objetivo é explorar temas fundamentais em Ciências e criar conexões entre o currículo escolar e o conteúdo do museu por meio de planos que integrem as salas de aula e a exposição principal no ensino de um tema.

Os próximos encontros serão 22 de setembro, 13 de outubro e 10 de novembro, quando um grupo de especialistas apresentará temas organizados nos eixos Universo e Terra, Vida e Biosfera, Humanidade e Cultura. Além dos especialistas já citados, o programa terá a presença do geólogo da UERJ, Hermínio Ismael, e o físico do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, Henrique Lins de Barros. O programa também tem a participação dos educadores do Museu do Amanhã e professores vencedores do Prêmio Shell de Educação Científica.
Davi Bonela é pesquisador da Diretoria de Desenvolvimento Científico do Museu do Amanhã.